Budapeste parte 1: como planejei minha viagem

Para falar sobre planejamento, nada melhor do que um exemplo prático. Então, vou compartilhar com vocês, em quatro postagens, o passo a passo da minha viagem para Budapeste. No primeiro post, falo sobre os motivos que fizeram com que escolhêssemos a capital húngara e as inspirações para montagem do roteiro. Em seguida, no segundo post, falo sobre a escolha do hotel, o clima, o transfer do aeroporto para o centro da cidade e o câmbio. Já no terceiro e quarto posts, divido com vocês nosso roteiro detalhado falando das nossas impressões de cada uma das atrações. Ao final, conto o que, infelizmente, não foi possível fazer desta vez.

Esta postagem é o resumo de uma experiência, portanto, está longe de ser um tutorial e, também, não pretende ser um guia. Na verdade, vou compartilhar com vocês a maneira com que planejo cada passo das minhas viagens. Eu já havia feito uma postagem semelhante em 2016, logo no início do blog.  Talvez, você já faça várias coisas da mesma maneira que eu, ou quem sabe, eu possa te ajudar ou te inspirar de alguma forma. Em viagens longas, que passam por várias cidades e utilizam diferentes modais (carro, trem, avião, ônibus etc.) a fase de planejamento exige uma maior dedicação. Afinal, se você for como eu, quer aproveitar tudo o que o caminho tem para oferecer.

A viagem para Budapeste não exigiu que pensassemos em uma grande logística, afinal foi quase um bate e volta. Ficamos na cidade três noites, mas efetivamente, aproveitamos dois dias e meio. Chegamos em uma sexta feira a noite e fomos embora em uma segunda feira a tarde.

Quatro dias são suficientes para conhecer Budapeste?

Ponte das Correntes

Acredito que em quatro, ou ainda melhor, cinco dias, dá para conhecer a cidade com calma. No nosso caso, não foi possível fazer isso. Foi corrido, faltou tempo. Todavia, levando em conta a nossa experiência, acredito que cinco dias são suficientes para conhecer os principais atrativos e, ainda, se permitir alguns pequenos luxos. Com mais tempo, pode-se caminhar sem pressa, provar muitos dos doces deliciosos (e olha que não sou uma grande fã de doces) ou se aventurar por algumas trilhas. Também é possível participar de uma degustação do famoso vinho Tokaji, patinar no gelo, passear no supermercado ou se divertir nos muitos bares da cidade. São tantas possibilidades, que até esqueci de mencionar os banhos de águas termais. Apesar de termos “cumprido” o nosso roteiro, chegávamos ao hotel sempre exaustas e tivemos que deixar de lado algumas coisas que gostaríamos muito de ter feito.

No que se refere ao planejamento, viagens curtas têm algumas vantagens, uma vez que não é preciso dedicar horas aos mapas tentando montar um quebra-cabeças. No caso de Budapeste, o que demandou mais tempo foi a escolha do hotel e a montagem do roteiro. Em função disso, grande parte de nossa pesquisa teve como base sites de busca de hospedagem comoBooking.com e Expedia.com Ao mesmo tempo em que buscávamos um hotel próximo aos principais atrativos, aproveitávamos para organizar, com ajuda do Google Maps, as visitas aos pontos de interesse em uma sequencia lógica. Certamente, nessa viagem, o tempo era precioso e precisava ser aproveitado de maneira eficiente!

O contexto da viagem

Praça dos Heróis

Em janeiro de 2020, eu estava com uma viagem marcada para visitar a minha irmã que mora no interior da Inglaterra. Muito antes disso, em dezembro 2009, quando ela estava grávida do primeiro filho, viajamos juntas para a França. Felizes por estarmos juntas novamente, prometemos que a cada dez anos, faríamos uma viagem “só de irmãs”. Passaram-se os dez anos. Ela com dois filhos, marido e um trabalho que exige bastante dedicação, estava sem perspectiva de férias. Decidimos, então, viajar em um final de semana. Minha irmã, ajeitou as coisas no trabalho para ter mais dia de folga. Seriam somente três dias e meio, por isso era preciso fazer a escolha certa!

As prioridades e as listas

Primeiramente, listamos algumas opções de lugares para visitar e elencamos alguns critérios importantes para nós. Isso é bem ajuda bastante, principalmente, quando a gente não sabe para onde ir ou quando o tempo é mais escasso. Um bom primeiro passo é fazer uma lista de lugares que te agradam a primeira vista. Lugares que você já ouviu falar, viu em um filme, em programa de TV ou no Instagram de um amigo. Depois trabalhe em uma outra lista, na qual você coloca coisas que sejam importantes para você como: clima, atrativos, preços, tempo e facilidade de deslocamento. A partir daí, começa o namoro, ou seja, muita pesquisa para encontrar os lugares que casam com as suas prioridades.

A escolha do destino

Vista da fachada lateral do Parlamento

O primeiro critério da nossa lista consistia em escolher um lugar que nenhuma de nós duas conhecessemos. A facilidade de deslocamento vinha logo em seguida (em cidades do interior nem sempre é fácil pegar um avião, trem ou ônibus). O terceiro, era o tempo de viagem, que não poderia ser longo e o quarto, os atrativos do destino, que deveriam casar com as nossas preferências. Também faziam parte da nossa lista o clima da cidade (em janeiro o inverno é rigoroso) e os preços de hospedagem, alimentação e transporte.

Sou uma viajante bastante eclética:  gosto de natureza, de história, de gastronomia, de música e de arte, então, é fácil me agradar. Budapeste me convenceu por uma série de motivos. Alguns deles são bem fáceis de identificar numa pré-viagem, basta procurar fotografias e vídeos. Outros, exigem um pouquinho mais de pesquisa, ou seja, leitura de blogs, guias e até de livros. (Você pode estar pensando… livros? Sim, literatura! Já, já conto como adquiri esse hábito).

Também pesquisamos e lemos sobre cidades para visitar no inverno e encontramos uma matéria no site Love Exploring que nos ajudou a escolher as duas finalistas: Copenhague e Budapeste. Seguimos lendo e pesquisando e decidimos por Budapeste, pois os horários dos vôos eram melhores e achamos que os atrativos eram mais variados. Foi uma decisão difícil (Copenhague parece ser um lugar incrível e permanece na lista). O Love Exploring, o Trip Advisor e o Viaje na Viagem foram algumas das fontes de pesquisa. Eles trazem várias publicações agrupadas de alguns países e guias rápidos , que podem auxiliar bastante na escolha de um destino. Além deles, também foram muito úteis as publicações dos blogs Meus Roteiros de Viagem e 360 Meridianos.

Uma dica preciosa!

Essa é uma dica preciosa, que serve para o planejamento de qualquer viagem. No site da RBBV (Rede Brasileira de Blogueiros de Viagem) há uma espécie de “curadoria” dos artigos produzidos por seus membros. Eles são organizados por destinos e listados em ordem cronológica, ou seja, todo o material produzido pelos blogueiros membros da RBBV está disponível no site. A ABBV (Associação Brasileira dos Blogueiros de Viagem), também tem uma listagem bem interessante das publicações dos seus membros. No entanto, ela não está organizada por destino. Essas duas listas ajudam muito a encontrar as postagens recentes com informações atualizadas.

A ajuda que vem da literatura…

Bastião dos Pescadores

A Camila Navarro, do blog Viaggiando, tem um projeto chamado “A Volta ao Mundo em 198 Livros”. Vale a pena acessar o blog ou o canal YouTube para conhecer. A ideia é linda e inspiradora. Após aprender com a Camila o quando a literatura poderia nos dizer mais sobre determinada cultura, povo ou localidade, dificilmente viajo sem uma leitura prévia. Camila, quase sempre, opta por ficções, a grande maioria, textos escritos por autores nascidos ou que vivem no país a ser visitado.  Na minha opinião, isso traz uma perspectiva diferente ao viajante, permitindo com que, muitas vezes, conheçamos o lugar de “dentro pra fora”.

Apesar de os guias de viagem também fazerem parte das minhas leituras prévias, acho que neles as coisas estão prontas. Os lugares nos são apresentados numa sequência lógica, muitas vezes sem conexão com a história e a cultura de um povo.  Antes de viajar para a Hungria, não tive muito tempo para pesquisar e acabei optando por um clássico da literatura daquele país. Trata-se de um livro de Ferenc Molnár, intitulado “Os meninos da Rua Paulo”. A leitura me levou para uma Hungria do final do século XIX e trouxe lições muito sensíveis e impactantes. Elas me fizeram compreender um pouco mais sobre a cultura e os valores dos cidadãos daquele país.

Motivos para visitar Budapeste

Vou listar aqui alguns fatores que chamaram a nossa atenção durante a pesquisa sobre e a cidade e que se confirmaram após a visita.

  1. É uma cidade relativamente fácil de visitar caminhando (não sei você, mas eu gosto muito disso). É plana e as atrações estão concentradas em “distritos” específicos, que não ficam muito distantes uns dos outros.
  2. Há muitas (muitas mesmo) opções de hotéis e restaurantes (para todos os gostos e bolsos).
  3. É uma capital, que apensar de nova, tem muita história e uma história recente fascinante.
  4. Tem atrativos diversos: museus, monumentos (vários!!), parques, banhos termais, igrejas, pequenas trilhas e passeios. Há muitos cafés, bares e restaurantes e um comércio local interessante. Além disso, a vida noturna é agitada.
  5. A arquitetura é belíssima e mescla diferentes estilos.
  6. A cidade tem uma boa infraestrutura turística e um povo hospitaleiro.
  7. Os preços de hospedagem e alimentação são bem razoáveis, especialmente quando comparados com outras capitais europeias.

Os mapas,os guias e os cartões postais

Ainda que pareça algo utrapassado, preciso confessar que utilizo no meu planejamento três meios analógicos. Sim, sou uma apaixonada por guias, mapas e cartões postais. Os guias são uma fonte de pesquisa complementar. As vezes, os utilizo no planejamento que faço quando ainda estou em casa e, outras vezes, os adquiro um na primeira oportunidade que tenho, já no destino escolhido. Primeiramente, utilizo os guias para me certificar que elaborei um roteiro lógico e, também, para procurar alguma atração que possa ter sido deixada de lado.

Embora eu utilize o google maps durante todo o processo de montagem do roteiro, uma das primeiras coisas que faço quando chego no destino, é agarrar um mapinha impresso. Como eles são elaborados por locais, as vezes, trazem algumas surpresas. Além disso, gosto de tê-los na bolsa, abrir em cima da cama, dar aquela olhada panorâmica, me localizar. Já os cartões postais, são uma paixão, um capricho, uma mania que me atrai às lojinhas de souvenirs. Contudo, se enganam aqueles que pensam que vou atrás apenas de belas imagens colecionáveis. Já fui influenciada, mais de uma vez, por uma dessas imagens de cartão postal. Gostei da fotografia, virei o postal, localizei o lugar no mapa e fui conhecê-lo. Quer um exemplo? Em Budapeste, um postal me “apresentou” o Várkert Bazar, que entrou no roteiro de última hora.

Ainda está em dúvida?

Castelo Vajdahunyad

Então, experimente fazer outra coisa que sempre faço. Procure por guia locais, que tenham canais no YouTube ou perfis no Instagram e passe a segui-los. Assim, você já vai se familiarizando com os lugares e conhece um pouco mais sobre hábitos e costumes.

Quando ainda estávamos pesquisando, passei a seguir a Kitty do Instagram Budapeste para Brasileiros. Ela é húngara, fala muito bem português, já viveu no Brasil e faz passeios guiados na cidade. Não conseguimos fazer um passeio com ela dessa vez, com certeza teríamos aproveitado ainda mais. Mesmo assim, as dicas da Kitty foram preciosas para a montagem do nosso roteiro (foi ela quem nos “apresentou” os doces maravilhosos da Ruszwurm).

Também assiti a alguns vídeos. Comecei com seis episódios do Canal Louco por Viagens, do Rogério Enachev, no YouTube e finalizei com Programa “O Mundo Segundo os Brasileiros” – Budapeste.

Para finalizar, acredito que depois de tudo isso, eu estava pronta para montar meu roteiro, que compartilharei com vocês nas próximas postagens.

Até breve!!!

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