Revelações sobre Harry Potter: o que os fãs e os turistas precisam saber

Extra! Extra! J.K. Rolling “sacode” o Twitter com revelações “bombásticas” sobre seus lugares de inspiração e escrita. Primeiramente, é preciso ficar claro que a ideia desta postagem não é fazer fofoca. No entanto, as recentes revelações de Rowling não abalaram apenas o imaginário dos seus fãs. Elas me fizeram refletir sobre o quanto as manifestações públicas da escritora podem interferir nos negócios de algumas empresas, especialmente, àquelas que lucram com o turismo vinculado ao universo de Harry Potter.

As recentes publicações de Rowling motivaram esta postagem por meio da qual “viajo” para muitos lugares. Inicio fazendo um apanhado das publicações da escritora no Twitter. Logo em seguida, realizo uma breve reflexão sobre os motivos que fazem com que pessoas se desloquem para conhecer lugares de nascimento, morada, trabalho ou inspiração de diversos artistas. Na sequência, falo um pouquinho sobre o fascínio pelos locais usados para locações cinematográficas e, para finalizar, apresento alguns lugares que todos os fãs de Harry Potter adorariam conhecer.

Vamos aos fatos

Na última quinta-feira, 21 de maio, J. K. Rowling, a escritora mundialmente conhecida pela saga Harry Potter (HP), surpreendeu muitos dos seus fãs. Além de ter “revelado” o lugar de nascimento de HP, ela afirmou nunca ter visitado à Livraria Lello, na cidade do Porto, em Portugal. Curiosamente, há muitas sugestões de roteiros pela cidade que associam a livraria às histórias do famoso bruxinho. Ademais, o próprio estabelecimento, durante muito tempo, tirou vantagem do agora revelado “boato” que se estabeleceu, ao longo dos anos, como verdade entre moradores e turistas.

A polêmica em torno dos lugares de inspiração

A frustração foi maior entre o grupo dos aficcionados que fazem de tudo para visitar lugares nos quais, supostamente, Rowling teria se inspirado. Muitos deles comentaram a publicação demonstrando seu desapontamento. Por outro lado, alguns moradores respiraram aliviados, ansiando que a revelação dê um fim às filas que diariamente se formam em frente à livraria. Com intuito de alentar os entristecidos, no mesmo dia, a escritora publicou outro tweet revelando ter sentado para escrever, algumas vezes, no Café Majestic, também localizado no Porto. Segundo ela, o referido café é o mais lindo em que já escreveu. Será que essa divulgação fará com que, a partir de agora, as filas mudem de lugar?

De fato, os boatos que diziam que Rowling havia se inspirado na livraria para criar cenários que serviam de pano de fundo as aventuras dos jovens bruxos, tinham um certo fundamento. A escritora viveu na cidade do Porto no início dos anos 1990, pouco tempo antes da publicação do livro “Harry Potter e a Pedra Filosofal” que aconteceu em 1997. Em função disso, acredita-se, surgiram algumas “lendas” sobre a influência não apenas da livraria, mas também, dos uniformes escolares utilizados pelas crianças do Porto nas suas histórias.

“Os fãs de Harry Potter não têm dúvidas. As escadas que se mexem de Hogwarts e os corredores cheios de livro até o teto da livraria Floreios e Borrões, onde os jovens bruxos compram seus livros de magia, são, de certo modo, um pedacinho da livraria portuguesa inspirando a ficção”. 

(Nathália Geraldo -Portal Vix encurtador.com.br/dfmM2)

E não foi só a livraria…

As revelações envolveram outros lugares, entre os quais a Rua Shambles, na cidade de York, norte da Inglaterra, cujos comerciantes “reclamavam” o direito de ser a inspiração originária do Beco Diagonal, fato desmentido pela escritora. Também foram alvo dos tweets, o pub ” The Old Firehouse”, que supostamente, teria inspirado o Leaky Caukdron (Caldeirão Furado) e a Rua Gandy, outro lugar em que os moradores encontravam semelhanças com Beco Diagonal. Ambos estão situados na cidade inglesa de Exeter, na qual J.K. Rowling cursou a universidade. Ela revelou que esses rumores também são falsos.

Segundo ela, na sua cabeça, o Beco Diagonal não se parece com a Rua Gandy e disse não lembrar de ter frequentado o referido pub. Também estiveram na mira da escritora as escolas da capital escocesa. De acordo com Rowling, elas não seviram de inspiração para Hogwarts. Em resumo, naquele dia, a escritora estava afiada e parecia disposta a esclarecer alguns fatos que há muito tempo vinham sendo propagados sem que ela os confirmasse. Talvez ela tenha tido a inteção de evitar o que diz aquela famosa frase: “uma mentira repetida muitas vezes, vira uma verdade”.

A pergunta que deu início às revelações…

Tudo começou quando ela recebeu uma imagem de um seguidor questionando-a sobre o lugar de nascimento de Harry Potter. Miguel Rodriguez postou uma fotografia do “The Elephant House”, um café de Edimburgo em cuja fachada consta a seguinte inscrição: “The Birthplace of Harry Potter”. A escritora admitiu já ter escrito no local, que é um famoso ponto de “perigrinação” dos fãs da saga. Contudo, afirmou ter começado a escrever a história muitos anos antes ter adentrado ao café pela primeira vez. Ela completou, em tom de brincadeira, dizendo que considera colocar uma sessão em seu site sobre as alegadas inspirações creditadas a ela para criar as histórias de Harry Potter.

A partir do tweet originário, seguiram-se uma série outras publicações nas quais ela mostra imagens e fala de lugares em que escreveu. Rowling também revela que a ideia do livro nasceu em uma viagem de trem entre Manchester e Londres e que as primeiras linhas foram escritas em um pequeno apartamento alugado em Clapham Junction, na capital da Inglaterra.

O que move os fãs?

De fato, o que acontece com J.K. Rowling ocorre também com outras personalidades. Conhecer lugares de inspiração, nascimento, morada, diversão ou trabalho de “famosos” parecem ser uma curiosidade genuína entre de fãs de pessoas/fatos que marcaram a história. Esse desejo, mobiliza turistas em vários lugares do mundo. Quando me deparei com as postagens de Rowling, tentei elaborar uma lista dos lugares desse tipo que já entraram nos meus roteiros de viagem. Com toda a certeza, foram muitos. Além disso, fiquei pensando sobre o quanto a visita a esses lugares foi motivo de aprendizagem, diversão, saudosismo ou apenas regozijo pela satisfação de uma vontade.

Da mesma forma, acredito que as pessoas tem um grande apreço por estar em lugares que as permitem materializar aquilo que até então estava no mundo das ideias. Por exemplo, lembro do dia que fui até o Churchill War Rooms, em Londres. O lugar é uma espécie de bunker que foi utilizado por Winston Churchill durante a Segunda Guerra Mundial. Eu já havia lido a biografia dele. Também tinha visto filmes e séries nas quais ele aparecia. Então ir até lá, ver aquilo lugar “ao vivo”, percorrer aquelas galerias, ver os documentos, ouvir a voz de Churchill, olhar para o mapa original utilizado por ele e sua equipe durante a guerra (ainda demarcado) e sentir a atmosfera daquele subterrâneo, foi como uma imersão intensiva na história. Lá ele planejou ações, realizou importantes reuniões, fez famosos pronunciamentos e passou algumas noites.

Então, o que queremos?

Acredito que além de tudo o que já foi dito, as pessoas queiram experimentar novas sensações e colocar a prova seus sentimentos. Talvez busquem sentir um pouco daquele universo que até então estava restrito a livros, músicas, filmes ou objetos. Quem sabe sejam movidas pelo desejo de sentir-se, nem que por um breve momento, testemunhas da história. Quiçá desejem conectar-se àquela personalidade de outra forma, conhecer curiosidades sobre sua vida privada, seu método de trabalho ou seus sonhos e ambições.

Afinal, que fã não gostaria de entrar no mesmo lugar que J.K. Rowling escreveu e sentir o ambiente que a rodeava? Ou ainda, visitar “caverna” em que os Beatles tocaram no início da carreira e ouvir suas músicas? Que tal percorrer o quintal e visitar a casa onde Isaac Newton viveu e desenvolveu as suas teorias? Ou hospedar-se em um retiro espiritual criado e frequentado por Gandhi na India? E por fim, o que será que você sentiria ao ouvir um poema de Plabo Neruda apreciando o por do sol da janela de uma de suas casas?

Lugares como esses espalhados pelo mundo…

Em Lisboa, o Café Martinho da Arcada, fez uma homenagem ao ilustríssimo filho da terrinha, Fernando Pessoa, “imortalizando” a mesa na qual ele costumava sentar-se. A casa na qual o poeta viveu no bairro Campo do Ourique é outro lugar muito frequentado pelos “amantes” do escritor. Aliás, há algum tempo, fiz uma postagem especial sobre essa visita.

Na Inglaterra, as casas em que viveram Charles Dickens e Jane Austen estão abertas à visitação. Além disso, alguns lugares frequentados por esse dois grandes nomes da literatura britânica, são assinalados de diversas maneiras, seja através de frases, placas ou pequenas homenagens. Na França, a Casa e os Jardins de Monet, são locais que encantam os admiradores do artista. No Brasil, há roteiros turísticos que passam por lugares frequentados por Jorge Amado, assim como acontece com Gabriel García Marquez em Cartagena, na Colombia e com os Beatles em Liverpool. Em Brasília e em Belo Horizonte é possível conhecer as casas onde viveu o ex-presidente Juscelino Kubitschek, assim como seus objetos, recordações de família, documentos e projetos .

Casa de Monet, Giverny, França.

Talvez você já tenha percebido que poderíamos criar uma lista gigantesca, enumenrando paisagens, lugares de nascimento, trabalho e morada, restaurantes, cafés e viagens que inspiraram personalidades ao redor do mundo. Quem sabe seja um tema interessante para uma postagem especial. Aliás, vou pensar seriamente no assunto. No caso de Harry Potter, além dos locais de inspiração da escritora, o que também mexe com o imáginário dos fãs, é a possibilidade de conhecer as locações dos oito filmes da saga.

Onde estão as locações dos filmes de Harry Potter?

Dentre as muitas locações utilizadas para os filmes da saga, um dos mais visitados é a estação Kings Cross, em Londres. Lá está a plataforma 9¾ local no qual Potter atravessa a parede para pegar o trem para Hogwarts, dando início à aventura. Embora seja um local de fácil acesso (é só chegar à estação e seguir as placas para as plataformas 9 e 11), levar uma recordação do lugar pode não ser tarefa fácil.

Estive na estação em um dia frio e chuvoso em janeiro de 2020 e a espera foi de aproximadamente vinte e cinco minutos. Há um fotografo, vinculado a loja oficial, que está localizada logo ao lado, disponível para clicar a sua imagem. Se a sua opção for essa, imediatamente após o clique, é só ir até a lojinha, pagar e retirar a foto. Caso você não queira, não tem problema, o carrinho com as malas e a gaiola com a coruja estão ali para o seu registro. Para os que quiserem saber todos os detalhes sobre uma visita à King’s Cross o Londres para Principiantes tem um tutorial excelente.

O que mais é possível visitar?

Para quem for até lá, sugiro um passeio pela estação vizinha à Kings Cross, a St. Pancras. Na fachada e no hotel anexo a estação ferroviária, o Renaissance, foram filmadas cenas do filme Harry Potter e a Câmara Secreta. O prédio da estação tem uma belísssima arquitetura, duas belíssimas esculturas em bronze (The meeting place e a estátua de John Betjeman), além de cafés, restaurantes e lojinhas. Ainda em Londres, vários outros lugares que serviram de cenário para os filmes podem ser identificados pelos fãs que passeim pela cidade: a Millennium Bridge, o Leadenhall Market, a Tower Bridge e Picadilly Circus.

Já para aqueles que também gostam de viajar sem sair de casa, há alguns tours virtuais bem interessantes. No Google Arts and Culture há algumas referências, especialmente à objetos do acervo ou exposições já realizadas na British Library. Ela fica coladinha nas estações citadas anteriormente e vale muito uma visita, tanto ao site, quanto ao local. Se você quiser saber mais sobre esse lugar fantástico, que transcende a ideia que temos de biblioteca, leia a postagem em que falo um pouco sobre a minha visita ao local. Ainda no que tange ao virtual, é possível fazer uma visita como uma visão de 360 graus ao set de filmagem de Harry Potter no site 360virtualtour.

Viajando atrás das aventuras do bruxinho

Se você quiser continuar sua viagem com Harry Potter, uma parada obrigatória são os estúdios da Warner Bros. O estúdio que serviu como local de filmagem dos filmes da série, fica localizado em Leavesden, uma pequena localidade ao norte de Londres. No Viaje na Viagem você irá encontrar uma postagem bem completa e cheia de belas imagens, de uma visita feita pela Mariana Amaral ao local.

Outro lugar bem popular entre os fãs da saga é Oxford. Distante cerca de 90 quilômetros de Londres, a bela cidade também serviu de cenários para várias cenas de filmes. Antes do sucesso de HP, muitas pessoas visitavam Oxford em função da sua prestigiada e antiquíssima universidade. Atualmente, é impossível visitar a cidade e, principalmente. o Christ Church, um dos colleges da universidade, sem encontrar turistas fotografando aqui e acolá. Os lugares preferidos são o refeitório, a escadaria, a catedral, o claustro e o pátio. Estive lá em 2017, mas como fui de carro desde a cidade de Leicester, vou deixar uma postagem muito boa e super completa que enontrei no blog Viajonários.

Quer ir um pouco mais longe?

Caso você esteja no sul da Inglaterra ou tenha ido visitar visitar Stonehenge, a cidade famosa pelo “monumento” formado por um círculo de pedras, não deixe de subir um pouquinho até chegar a cidade de Lacock. A Abadia desse belíssima cidade, que parece ter parado no tempo, foi a locação usada para uma série de cenas de dois filmes de Harry Potter (A Pedra Filosofal e a Câmara Secreta). Tudo foi filmado de maneira ultrasecreta. O medo dos produtores é que as gravações pudessem atrair uma grande número de pessoas à pequena cidade, inviabilizando a vida por lá.

E Edimburgo?

Para finalizar, vou falar brevemente sobre a cidade chamada por muitos de “destinos dos sonhos” dos fãs de Harry Potter. Trata-se de Edimburgo, capital da Escócia. Como ainda não estive lá, recorri ao depoimento da minha irmã. De fato, segundo ela, muita coisa na cidade gira em torno da história.

Há diversos tours destinados aos fãs. Eles passam pelo Castelo de Edimburgo, pela Victoria Street (mais uma suposta inspiração para o Beco Diagonal), pelo Café “The Elephant House”, um dos lugares envolvidos na polêmica, e pelo cemitério Greyfriars Kirkyard. Outra famosa atração. também alvo dos tweets da série “verdadeiro X falso”, é a escola George Heriot’s. Embora muitos digam o contrario, a escritora revelou que Hogwarts foi criada muito antes de ela “bater os olhos” nas escolas escocesas.

Os passeios também param defronte ao Balmoral Hotel, no qual, segundo a própria escritora, ela se hospedou enquanto escrevia o último livro da série. Minha irmã também contou sobre a possibilidade de fazer um passeio de trem no Hogwarts Express. Fui procurar referências e encontrei uma postagem de 2014 do blog Contando as Horas. Talvez esteja um pouquinho desatualizada, mas vale muito a pena conferir as dicas da Bruna e o passo a passo da sua experiência.

Seguimos sem saber todas as verdades. Isso importa?

J.K. Rowling cita, nesta série de tweets, o acontecimento que ela considera o mais “sem noção” relacionado aos “lugares” e “mitos” de Harry Potter. Um seguidor enviou uma mensagem informado-a que ouviu, em um tour, uma discussão sobre o paquímetro utilizado por ela enquanto escrevia “Relíquias da Morte”. Na resposta, J.K. Rowling afirma que não sabe dirigir. Enfim, deixando de lado esse tipo de exagero, seguimos sem saber todas as verdades, não apenas sobre as inspiraçãoes para a escrita de Harry Potter, mas também sobre tantos outros fatos e histórias que movimentam o turismo pelo mundo. Afinal, é impossível saber todas as verdades.

Para aqueles que gostam do “nu e cru” e não toleram esse tipo de mito ou fantasia, que tal arriscar mais umas perguntinhas à escritora? Ela anda empolgada!

Para saber mais…

https://viagem.estadao.com.br/noticias/geral,o-mapa-do-maroto-de-harry-potter-no-reino-unido,70002912280

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