Museus dos Beatles em Liverpool: vale a pena visitar?

Vitrine de uma loja de Doces no Albert Dock em Liverpool – réplica de imagem feita com balas jujuba.

Eu já comentei, em uma postagem anterior, que Liverpool é uma cidade cujos atrativos vão muito além dos Beatles. Em função da sua localização, a cidade portuária foi protagonista ou coadjuvante de vários episódios que marcaram a história. Dentre tantos, podemos citar o tráfico de escravos, as grandes guerras mundiais, o naufrágio do Titanic, o escoamento de produtos do “velho” para para o “novo” mundo, etc. (mas, esses serão assuntos do próximo post). Embora seja relativamente pequena, Liverpool tem vários excelentes museus dispostos a nos contar a história e nos aproximar de todos esses acontecimentos.

Nessa postagem vamos falar de lugares que propõem um mergulho pelo universo dos Beatles. Me refiro aos dois museus que se dedicam, exclusivamente, a contar a história e a preservar as memórias da banda.

Uma relação de afeto Liverpool – The Beatles e vice-versa.

Estava aqui pensando na relação entre alguns artistas e suas cidades. Lembrei de João Gilberto (que é baiano) e Tom Jobim, compondo e cantando o Rio de Janeiro. Também recordei a famosa New York, New York, imortalizada por Frank Sinatra (que é de Nova Jersey). Há muitos exemplos pelo mundo, mas acredito que nenhum deles se aproxima dessa vínculo forte entre “The Beatles” & Liverpool.

Ao caminhar pelas ruas, visitar museus, entrar em lojas e restaurantes, você, invariavelmente, “topará” com algo relacionado aos quatro famosos meninos que nasceram e cresceram na cidade. Em função disso e de toda a história que permanece viva nas ruas de Liverpool é praticamente impossível desfazer essa relação. As referências estão por todos os lugares. Na decoração das vitrines, nos souvenirs, nas estátuas estrategicamente localizadas em pontos turísticos, nos quadros exibidos nas paredes dos pubs e em locais bem específicos como os museus.

Estátuas de Bronze dos Beatles situadas às margem do Rio Mersey, nas proximidades do “Museum of Liverpool”

Há quantos museus dedicados aos Beatles em Liverpool?

No centro da cidade, há dois espaços que se dedicam especificamente a contar a história da banda. O mais antigo e conhecido, é o “The Beatles Story”, localizado no Albert Dock. Outro espaço consagrado exclusivamente à banda é o novíssimo “Liverpool Beatles Museum ”, situado a alguns passos do Cavern Club, na famosa Mathew Street. As propostas são diferentes, mas igualmente interessantes. 

Além dos dois, você irá encontrar outros museus que fazem referências à banda, como por exemplo, o “Museum of Liverpool“. Neste museu que conta a história da cidade, há uma pequena parte dedicada à banda e, eventualmente, exposições temporárias.

Outro espaço no qual os Beatles ocupam um lugar especial é o British Music Experience. Este espaço se propõe a contar a história da música britânica de 1945 até os dias atuais. Para tanto, são utilizados objetos pertencentes a diversos ícones da música. Além dos Beatles, fazem parte do acervo, instrumentos, roupas, imagens, vídeos e sons de David Bowie, Sex Pistols, The Rolling Stones, Pink Floyd, Amy Winehouse, Oasis, etc.

The Beatles Story

Agora, vamos falar especificamente de museus que dedicam suas coleções à vida e à obra dos Beatles. O “The Beatles Story” é um espaço privado, localizado no prédio do Albert Dock, às margens do Rio Mersey, bem próximo à roda-gigante e ao centro de convenções da cidade. No meu entendimento, a ideia que guiou a concepção do museu, foi o desejo de contar a história da banda em ordem cronológica, utilizando como bases para a narrativa lugares que marcaram a trajetória dos Beatles.

O ingresso custa 18 libras e incluiu um audioguia. Além do conteúdo do áudio, nas paredes há muitas imagens e informações, referências históricas relacionadas à carreira dos Beatles, mescladas com episódios da vida pessoal dos integrantes da banda.

A visita

Na primeira sala do museu são contados alguns fatos anteriores à formação da banda. Em seguida, a narrativa continua falando dos “encontros” entre os integrantes. Em resumo, foi num show da “The Quarrymen” criada por John Lennon, que ele e Paul McCartney se conheceram. Paul que conhecera George Harrison no ônibus escolar, o apresentou a Lennon. A partir daí, foram criados os elos que futuramente dariam origem aos Beatles.

Seguindo a visita, começamos uma caminhada por lugares que marcaram a trajetória da banda, iniciando pelas boates de Hamburgo, nas quais o grupo se apresentou no início da carreira, em 1960. No itinerário, você passa pela Mathew Street, entra no Cavern Club e passeia pelo Estúdio Abbey Road. A viagem segue em uma réplica do interior do Avião da Pan Am, que levou o grupo pela primeira vez aos Estados Unidos. Há vídeos com os gritos ensurdecedores das fãs os recebendo no aeroporto e durante o programa Ed Sullivan, onde se apresentaram.

Finalizando o roteiro

Os últimos anos da banda começam a ser contados através de uma passagem pelo “Yellow Submarine”. A música que faz referência a ele, foi gravada em um single em 1966. Ela também deu nome a um longa metragem lançado em 1968. O roteiro segue contando um pouco da história do famoso álbum “Sgt. Peppers”, de 1967 e trazendo referências da viagem do grupo à India. Durante a visita há alguns objetos utilizados pelos Beatles, mas os principais atrativos, são mesmo as réplicas de lugares que foram importantes na história da banda. Embora os Fab 4 tenham colocado um ponto final no história do grupo em 1970, o percurso continua narrando alguns fatos sobre a carreira solo de cada um dos integrantes. Ao final, uma sala branca e um piano da mesma cor, recordam o cenário de Imagine.

Liverpool Beatles Museum

Para aqueles que se decepcionam com a visita ao “The Beatles Story” por encontrar poucos itens originais da banda, o que não foi o meu caso, boas notícias! Há exatos dois anos e meio, em junho de 2018, Roag Best, irmão do baterista original dos Beatles Pete Best, criou um museu cuja atração principal são os mais de 300 itens e objetos originais do grupo. A novidade chama-se Liverpool Beatles Museum.

Equipamentos originais dos Beatles – Imagem retirada do site The Guide of Liverpool – https://theguideliverpool.com/.

Ele está localizado na Mattew Street, bem pertinho Cavern Club, então se você é fã da banda, aproveite a proximidade dos locais e visite os dois no mesmo dia. Acredito que duas horas sejam suficientes para explorar o museu, então você pode agendar sua visita para o meio ou final da tarde, aproveitar com calma cada um dos espaços e depois fechar o passeio com uma visita ao clube.

Falando brevemente sobre o vizinho

Embora a programação do Cavern Club tenha apresentações ao vivo em vários horários, é no início da noite que a atmosfera do local se transforma. Ainda que eu não tenha certeza da legitimidade da minha afirmação, posso dizer que já estive no bar na final da manhã e no meio da tarde e não senti a mesma empolgação dos frequentadores. Não que a noite ele perca a cara de atração turística, mas os visitantes dão mais vida ao local, interagindo com os artistas, cantando, dançando, bebendo e se divertindo com as interpretações de cantores e bandas.

Cadeiras do Shea Stadium em Nova York. Os Beatles se apresentaram no local em 1965 e 1966. A primeira apresentação ficou famosa por ter registrado um público recorde até então, 55.600 pessoas e por ser o primeiro show de rock realizado em um estádio aberto. Imagem retirada do site Visit Liverpool – https://www.visitliverpool.com/

Voltando ao museu

Voltando ao museu, nos seus três andares, como já mencionei, você encontrará diversos itens originais como acessórios, roupas, instrumentos, fotografias, cartas e vídeos. O ingresso custa 15 libras e inclui um audioguia. Esse recurso, além de nos auxiliar a seguir o roteiro pensado para exposição, complementa a experiência do visitante com curiosidades e histórias interessantes. Infelizmente, no dia da visita, fiquei sem bateria e e tive que registrar tudo na memória. Por isso, para ilustrar essa postagem recorri a algumas imagens que encontrei na internet.

Interior do Museu. Imagem retirada do site Visit Liverpool – https://www.visitliverpool.com/

Em cada um dos andares, que são dedicados a diferentes épocas da banda, também encontrei mediadores bastante disponíveis e prontos para tirar dúvidas e a narrar acontecimentos que são nos são contados através do audioguia. Se você tiver sorte, poderá encontrar o proprietário, Roag Best, que dizem ter um ótimo papo. Além de instrumentos originais, o ponto forte na minha opinião, são as histórias e curiosidades sobre a banda que encontramos nas paredes e as entrevistas e vídeos inéditos que podemos acessar durante a visita. Ao final, como sempre, uma lojinha de souvenirs dá fim a um percurso bem interessante, que recomendo, principalmente aos fãs da banda.

E então, vale a pena?

Para os fãs, sem dúvida. Os dois museus são igualmente interessantes e me arriscaria a dizer, complementares. Para aqueles que querem ter uma visão mais geral, eu indicaria o The Beatles Story, embora faça isso com o coração dividido.

Outro programa para os super fãs são os tours. Há vários passeios oferecidos por guias particulares e também por empresas especializadas. Os roteiros são bastante semelhantes e passam pelas casas onde viveram Paul, John, George e Ringo. Além das residências, os itinerários nos levam a locais importantes para a banda como a igreja St. Peter. Foi durante uma festa, no pátio dessa igreja, que John e Paul foram apresentados por uma amigo comum, Ivan Vaughan. Outros lugares imortalizados pelas canções como Penny Lane Strawberry Fields também fazem parte dos passeios, mas isso é assunto para uma próxima postagem. Até lá!

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